quinta-feira, 4 de junho de 2009

Europeias 2009


Esta campanha eleitoral para o Parlamento Europeu caracterizou-se por se ter falado de tudo menos do que estava em jogo: o futuro desempenho dos nossos políticos na Europa.

À excepção de Miguel Portas (Bloco de Esquerda) e de Ilda Figueiredo (CDU) que algumas vezes pegaram no tema, os restantes candidatos, com hipóteses de serem eleitos, focaram as suas intervenções na política nacional.

É pena, porque este era um bom momento para aproximar os cidadãos portugueses e a União Europeia, com pedagogia e sem demagogia.

Talvez, se assim tivessem feito, a abstenção prevista diminuísse.

Vital Moreira (PS) foi completamente desastrado, não conseguindo sequer ser simpático. Sorriso completamente atoleimado, entrando por caminhos que não domina, sem rei nem roque, limitou-se a ser "his master voice" (a voz do dono), que é como quem diz a voz de Sócrates.

Paulo Rangel (PSD) aproveitou, e bem, as palermices e a completa ignorância e inaptidão de Vital Moreira. Não teve muito trabalho para ganhar votos. Foi Vital Moreira quem os perdeu.

Nuno Melo (CDS) é bom rapazinho e fica-me a sensação de que é pena que esteja no lugar errado.

Depois disto, estas eleições transformaram-se, de acto eleitoral europeu, em disputa caseira, sobre temas internos.

Assim sendo, e por culpa dos próprios candidatos e dos seus respectivos Partidos, as eleições do próximo domingo, serão, aos olhos dos portugueses, uma avaliação do desempenho de José Sócrates e do seu Governo e nada terão a ver com a União Europeia.

É com esse pensamento que os portugueses vão votar e as ilações terão que ser tiradas tendo em conta este cenário.