domingo, 3 de maio de 2009

Turismo no Algarve


"Não é possível entrar na Praia da Luz a direito. A estrada em frente não é para os que chegam mas para os que partem. Os sinais mandam cortar à direita, portanto para cima. É como se contornássemos as traseiras antes de penetrarmos no seu interior, e a vista não é de postal: uma fiada de urbanizações com ar de pouco uso, sem vida, literalmente para inglês ver. Chamam-lhe Praia da Luz, mas a praia não se vê daqui. Não se viu ainda, apesar de a inclinação natural do terreno se pôr a jeito. Os prédios vedaram o mar."

É assim que começa um pequeno artigo de Kathleen Gomes no Público, que vale a pena ler aqui.

A jornalista descreve bem o panorama do que se passa, dois anos após o desaparecimento de Maddie McCann.
Infelizmente o que ali ocorre não é caso único no Algarve. Nem pelas mesmas razões.
Um pouco por todo o lado a crise instala-se subrepticiamente, sem que os menos avisados se apercebam disso.

Há dias falava eu com um amigo, proprietário de uma espécie de pub na Praia da Rocha.
Dizia-me ele da sua apreensão pelo facto do seu negócio estar a ter uma baixa considerável.
Perguntei-lhe:
- E os portugueses, também diminuiram ?
- Não sei, o meu bar é para ingleses e irlandeses...
- Converte-o.
- Na minha idade já não sei se sou capaz.

Este cenário é, aqui no Algarve, muito frequente: turismo virado quase exclusivamente para os estrangeiros (sobretudo ingleses), pouco interesse (ou mesmo desprezo) pelo turista nacional.
Os industriais de hotelaria vão ter, muito rapidamente que se reconverter.
A libra desceu, as gordas gorjetas deixaram de existir.
Os súbditos de Sua Majestade estão a ficar em casa.

Não é possível que, para os portugueses, destinos como a Espanha, Tunísia, República Dominicana, Brasil, e outros, continuem mais baratos do que os do seu próprio país.
Mas sobretudo, não é compreensível, que nesses países sejamos mais bem tratados do que em Portugal.