segunda-feira, 18 de maio de 2009

A menina russa


Alexandra, a criança russa que vivia há 4 anos com uma família de acolhimento portuguesa foi entregue, esta manhã, à mãe biológica.
A despedida dolorosa entre a menina de seis anos e a família que a acolheu aconteceu junto à Segurança Social de Braga.

Durante mais de 30 minutos, família de acolhimento, amigos, advogado e assistentes sociais tentaram retirar Alexandra do carro. A menina chorava e não queria sair, acabando por ser levada à força para dentro do edifício onde a esperava a mãe biológica.

Alexandra parte quarta-feira para a Rússia na companhia da mãe no seguimento de uma decisão judicial. A criança tinha sido entregue a um casal de Barcelos pela mãe biológica, há quatro anos, depois de ter sido retirada à mãe, mas o Tribunal da Relação de Guimarães determinou que fosse devolvida.
(Fonte: Portugal Diário)

Os episódios tristes deste tipo sucedem-se perante uma Justiça cada vez mais desprestigiada e cujas decisões o povo português não entende.

A mãe biológica, ao que se sabe, tinha problemas de alcoolismo e levava uma vida de prostituição.
Do pai biológico Heorhiy Tskauly, de nacionalidade ucraniana, pouco se sabe a não ser que não se importou que a criança fosse entregue à mãe.

A criança, hoje com seis anos, foi entregue, aos quatro, a um casal português pela própria mãe biológica, que reconheceu não a poder manter sozinha.
A mãe terá que regressar à Rússia e hoje o Tribunal decidiu pela entrega da criança à cidadã russa que viaja para Lisboa. Na quarta-feira embarcam para o Rússia, onde vão viver com a avó da criança, numa localidade a 300 quilómetros de Moscovo.

A mãe, que teve apoio do Cônsul da Rússia no Porto, garante agora que tem condições para criar a menina, junto da família, na sua terra natal.

Diz a declaração Universal dos Direitos da Criança, de que Portugal é um dos subscritores:
"A criança deve - em todas as circunstâncias - figurar entre os primeiros a receber proteção e auxílio." ... "A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono, crueldade e exploração." ... "O interesse superior da criança deverá ser o interesse director daqueles que têm a responsabilidade por sua educação e orientação" ... "A criança necessita de amor e compreensão, para o desenvolvimento pleno e harmonioso de sua personalidade ... num ambiente de afecto e segurança moral e material" ... "A sociedade e as autoridades públicas terão a obrigação de cuidar especialmente do menor abandonado ou daqueles que careçam de meios adequados de subsistência."

Será que o Tribunal teve em conta e se assegurou que todos estes itens serão cumpridos ?
Não creio.
Uma vez na Rússia a nossa Justiça nada poderá fazer.
Perdeu a oportunidade e lavou a mãos como fez Pilatos.