quinta-feira, 28 de maio de 2009

A menina russa (2)


Gouveia Barros, o juiz-relator do Tribunal da Relação de Guimarães que decidiu que Alexandra, a menina russa de seis anos, fosse entregue à sua mãe biológica, declara, em exclusivo ao Expresso, estar "perturbado e surpreendido" com as imagens, transmitidas esta semana pelo canal de televisão russo NTV, onde são visíveis as agressões da mãe sobre a filha. (Fonte: Expresso)

Aí está mais um retrato da Justiça Portuguesa.
Alguém que confessa a sua incompetência para o exercício do cargo.
Alguém que agora pretende fazer passar a imagem de vítima.
Alguém que deveria demitir-se de imediato mas que, como é hábito em Portugal, não o fará e vai continuar a julgar nos nossos tribunais.

E note-se que a decisão do Tribunal de Relação foi proferida em 8 dias. Recorde nacional de celeridade ...

Insensibilidade, incompetência ou negligência grosseira ?

"Pior a emenda que o soneto"
Acrescentando:

Gouveia Barros achou que Florinda queria ser mãe de uma menina apenas por ter dois rapazes. “Fiquei chocado. A minha animosidade por Florinda vem daí, confesso. Mas penitencio-me por isso. Até porque a vi a falar na televisão e apercebi-me que não é a mesma pessoa que julgava. As declarações dela, da altura, foram mal vertidas para o papel.” (Fonte: Público)

O Juiz Gouveia de Barros, se realmente disse o que acima transcrevi, revela mais uma vez uma grande falta de qualidade para exercer profissão tão nobre.

Com efeito, admitir que ab intio sentia animosidade por uma das partes, seria no mínimo razão para pedir escusa de intervenção no processo.

Não o tendo feito, com todo o respeito e salvo melhor opinião, este Meritíssimo Juiz implicitamente confessa falta de imparcialidade no seu julgamento e dele só se pode pensar em termos de pessoa pouco escrupulosa e, direi mesmo, algo leviana.

Mal vai a nossa Justiça quando se vê que a simpatia ou antipatia pessoal podem ser factores de condenação ou absolvição.

Que fará o Conselho Superior da Magistratura ? Era bom que os portugueses viessem a saber.