quinta-feira, 9 de abril de 2009

Um insulto aos portugueses


A notícia já tem alguns dias:

"A palavra do deputado faz fé, não carecendo por isso de comprovativos adicionais". É esta a redacção do ponto sete do novo regime de presenças e faltas dos deputados em plenários, que o presidente da Assembleia da República fez aprovar. Jaime Gama acabou por deixar a possibilidade de os deputados poderem alegar ausência por motivo de doença sem que para isso seja necessária a apresentação de quaisquer justificativos nos primeiros cinco dias. Excepto quando a doença "se prolongue por mais de uma semana".

Os deputados deveriam ser verdadeiramente os "nossos" representantes e espelho do mais límpido e claro comportamento perante os cidadãos que representam, mas que também os elegeram.
As suas prerrogativas não deveriam, em nenhum caso, ofender os direitos de cada um de nós. E isto é mais uma ofensa aos portugueses. A acrescentar às reformas prematuras, às remunerações auto-definidas, à geral falta de produtividade que todos nós, os do Povo, sentimos existirem já.

O deputado é um homem, não diferente dos outros homens e mulheres deste país.
Entre eles há quem cumpra o seu dever e quem não o cumpra, quem seja honesto e quem não o seja, quem realmente tenha espírito de missão e quem se esteja nas tintas para o trabalho, só lhe interessando o "cacau" no fim do mês e as eventuais benesses que o cargo lhe traz.

Para mim a palavra de um deputado vale tanto quanto a minha. Vale tanto como a de um pequeno funcionário público, a de um professor, a de um médico, a de um simples varredor da rua...

Enquanto não se provar que se é desonesto, todos temos o direito a merecer credibilidade por parte dos outros.
Isto é afinal a base do princípio jurídico da "presunção de inocência". Ou não será ?

Repudio veementemente a ideia de que, só porque se é deputado, se é mais dos que os outros homens e mulheres de Portugal.