terça-feira, 16 de setembro de 2008

O Castelo de Almourol


Situado numa pequena ilhota escarpada, no meio do rio Tejo, um pouco a jusante da confluência do Tejo com o rio Zêzere, o Castelo de Almourol é dos monumentos militares medievais mais emblemáticos e cenográficos da época da Reconquista da Península aos mouros, sendo, ao mesmo tempo, um dos que melhor evoca a memória dos Cavaleiros Templários em Portugal.
Foi cenário de batalhas históricas.
Foi conquistado por D. Afonso Henriques aos mouros e com histórias mil para contar. A explicação é simples. Afinal de contas, trata-se de uma propriedade do Exército português, inevitavelmente incluída nos roteiros turísticos nacionais e de além-fronteiras.
Fica localizado entre Vila Nova da Barquinha e Constância e tem cerca de 310 metros de comprimento, 75 de largura e apenas 18 de altura.
Apesar de classificado como monumento nacional desde 1910, esta construção secular depende há muito da teimosia de alguns, e do descuido de outros tantos, em conservar a memória deste guardião do Tejo.
O cenário é romântico e idílico.
Ao amanhecer, a paisagem mais parece retirada de um postal antigo, com aquela austera fortaleza envolta por suaves luzes matinais e por uma misteriosa bruma.
A travessia das águas do Tejo faz-se em pouco mais de três minutos, mas pode prolongar a viagem por mais alguns instantes se pedir ao barqueiro para dar a volta a todo o ilhéu.
Há, então, que lançar as amarras para pisar o palco de solenes e sangrentas batalhas históricas e até mesmo de uma recente novela da televisão brasileira, em que um dantesco vampiro assomou à imponente torre de menagem.
A vista a partir de Almourol é fantástica, explicando o porquê da sua intensiva utilização militar.
Vá, com atenção, e até pode ser que, no meio dos escondidos caminhos em cimento construídos pelos militares que já percorreram o local em jeito de circuito, descubra a entrada de um dos misteriosos túneis que, reza a historia contada de boca em boca, ligavam a ilha às margens.
Aqui e ali sempre pode admirar elementos antigos, tais como a cruz patesca, o antigo emblema templário, esculpido na pedra sobre um portal que terá servido um possível varandim antes empoleirado na torre de menagem.



Se for de olhos bem abertos, ou acompanhado por alguém conhecedor, verá o que resta do que se julga terem sido os tronos do castelo. Esculpidos na rocha granítica, e já quase indetectáveis, sofrem, assim como tudo o resto, uma lenta erosão.
A sua história conhecida e registada por achados arqueológicos no local remonta à época da ocupação romana da Península Ibérica, por volta do século II a.C.. O romanos apoderaram-se do que então seria um castro lusitano ilhado no meio do rio. Mais tarde, alanos, visigodos e mouros também ali assentaram arraiais, até que, em 1129, o primeiro rei de Portugal tomou de assalto e conquistou esta fortaleza estratégica.



Antes disso já Almourol havia sido palco de outras histórias, desta feita de amor, e que facilmente se converteram em lendas. Entre as mais populares está o episódio dramático que relata o amor proibido entre a filha de um cruel senhor feudal godo e um pagem mouro, e o de uma princesa mourisca, de seu nome Ari, que se deixou encantar por um cavaleiro cristão, o que lhe valeu ficar “peada” (com a perna presa por uma corda) a mando de seu pai.
Com a história da Ari “peada” surgiu Arripiada que, com o correr dos tempos, resultou em Arripiado, nome de uma pitoresca aldeia à beira-Tejo, situada um pouco a Norte de Vila Nova da Barquinha e de Tancos.
Reedificado em 1171 por Gauldim Pais, mestre dos Templários e monge-cavaleiro a quem D. Afonso Henriques havia doado Almourol, foi aos poucos perdendo relevância na luta pela Terra Santa, dado o avanço dos combates e das conquistas para Sul por parte dos cruzados lusitanos.
Entretanto, já no reinado de D. Dinis (de 1279 a 1325), dá-se a extinção da Ordem dos Templários, com todos os seus bens e direitos a passarem para as mãos da Ordem de Avis. Daí em diante Almourol sofreu várias alterações, com algumas das mais profundas a serem levadas a cabo já no século XIX e ao longo de grande parte do seguinte.
No século XX, o conjunto foi adaptado a Residência Oficial da República Portuguesa, aqui tendo lugar alguns importantes eventos do Estado Novo. O processo reinventivo, iniciado um século antes, foi definitivamente consumado por esta intervenção dos anos 40 e 50, consumando-se, assim, o fascínio que a cenografia de Almourol causou no longo Romantismo cultural e político português.

Os Templários em Almourol



Vídeo de Hugo Almeida incluído no site oficial do Castelo de Almourol

Depois da publicação deste excelente vídeo, e em resposta a um email meu, recebi o seguinte:

"Antes de mais muito obrigado pela atenção e apoio demonstrado em promover o mini documentário que realizei sobre os Templários em Almourol.
O meu nome é Hugo de Almeida, sou o realizador e produtor desse trabalho que foi feito no desencadear de um plano de promoção na Internet que tracei durante 9 meses para o Castelo de Almourol, que entre outros teve o seu auge neste documentário, que já foi premiado pela Divx Inc., uma multinacional americana que tinha uma das maiores comunidades de vídeo do mundo. Sempre foi muito pouco reconhecido em Portugal, mas no estrangeiro tem sido muito bem recebido. Ainda recebo mails de maçons de todo o mundo a pedir-me para ir filmar aos seus países histórias sobre os templários.
Apesar de estar no site do castelo de Almourol, foi uma produção que funcionou quase como um presente meu para a câmara de Vila Nova da Barquinha, para promover o Castelo, dadas as extremas limitações orçamentais, restando-me utilizá-lo para promover o meu trabalho."

O trabalho de Hugo Almeida merece ser visto clicando aqui.