segunda-feira, 21 de abril de 2008

A luta dos professores. Um fenómeno novo.


Estamos a assistir a um fenómeno novo no nosso pequeno universo nacional: a luta dos professores.

Com efeito para além das acções habituais dos Sindicatos nas situações de divergências entre patrões (neste caso o Ministério da Educação) e os trabalhadores, verificámos que os Professores foram mais longe.

Desde logo nenhum Sindicato ou união sindical tem poder para juntar 100.000 trabalhadores em Portugal, numa única manifestação em Lisboa. Nunca o conseguiram e, creio bem, que nunca o irão conseguir, sobretudo se se tratar de uma só classe profissional.

Acredito que a presença desse espantoso número de docentes deve ter feito pensar os responsáveis, quer do Governo, quer dos Sindicatos.
Se não reflectiram sobre o fenómeno é porque ou estão cegos (os dirigentes dos sindicatos) ou mantêm uma insolente atitude autista (no Ministério da Educação e no Governo).

É do conhecimento geral que a maioria dos trabalhadores portugueses, embora sindicalizados, pouco ou nada participam no dia a dia da vida do seu sindicato.
A participação democrática dá maçadas e, em geral, os portugueses só se lembram que os sindicatos existem em momentos de crise.

Daí que se perpetue a ocupação de lugares dos dirigentes sindicais, quase do mesmo modo que se perpetuam os nomes nos cargos políticos. E, às vezes, por dezenas de anos!

Não creio que esta falta de militância e participação frequente na vida sindical se altere a curto prazo e que a renovação dos quadros se faça com facilidade.
O comodismo é uma instituição nacional. O deixa andar é atitude normalizada. Quem está no poleiro deixa-se estar...

Mas os professores encontraram outro tipo de actuação, sem precisar, praticamente, da apregoada organização e força dos sindicatos.

O recurso à internet através da blogosfera e dos emails maciços e aos telemóveis com os SMS, conseguiram aquilo que os sindicatos ou as associações profissionais nunca conseguiriam. Os media aperceberam-se do fenómeno e foram atrás.

Não esperemos que, num futuro próximo, os actuais sindicatos, ainda hoje reféns de uma máquina anquilosada e pesadona (que até poderá convir aos seus dirigentes), consigam liderar a luta que os docentes continuam.

É tempo de fazerem uma reflexão profunda sobre o seu modo de actuação, de renovarem os quadros, de irem ao encontro da classe, de actuar de acordo com as opiniões ouvidas e não, como fizeram agora, pedir aos trabalhadores que se limitem a ratificar as suas posições, antecipadamente assumidas, nas costas deles, perante o poder político.

Eles (os professores) já não vão por aí.

3 comentários:

  1. Presumo que o Jorge desconheça o número de professores sindicalizados. Olhe que somos 106 mil sindicalizados. Nem todos os manifestantes eram sindicalizados e nem todos os sindicalizados foram à manifestação.

    "Mas os professores encontraram outro tipo de actuação, sem precisar, praticamente, da apregoada organização e força dos sindicatos."
    Despreza a capacidade mobilizadora dos sindicatos por preconceito ou tem outro tipo de motivação?

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  2. Não tenho qualquer preconceito quanto aos sindicatos até porque fui, durante alguns anos, delegado sindical, num sindicato da minha área profissional, ligado à CGTP e sempre nele me mantive inscrito.
    Dizendo que há 106 mil sindicalizados acho que o Miguel só me dá razão quando eu digo que a participação activa na vida sindical é percentualmente diminuta em Portugal, pois não negará que a maioria se limita a pagar as quotas.
    Mas olhe que isso não se passa só entre os professores. Entre nós, médicos, a situação é a mesma, infelizmente.
    Acho, pois, que os dirigentes sindicais devem sair da modorra em que estão e procurar obter mais participação. Ou será que isso não lhes convém ?
    O que é facto é que nunca os sindicatos conseguiram reunir tanta gente numa manifestação, o que é de notar. Porquê?
    Eu estive em Lisboa e vi.
    E o Miguel não negará certamente que houve certo aproveitamento por parte de pessoas que nada têm a ver com a profissão docente. Para ser muito franco, não me caiu bem ouvir pelo menos um orador, alto dirigente sindical, que nada tinha a ver com os professores.
    Obrigado pela sua participação no meu ainda incipiente blog.

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  3. Não dá mais para aceitar o descaso do poder público com a educação e com os profissionais que atuam na rede pública de ensino.Nos professores somos uma classe forte, se nos mantivermos unidos, somos formadores de opinião, e o que temos feito para melhorar a educação???
    Nos dedicarmos ao máximo não tem resolvido,pois nos professores estamos nadando contra a correnteza, pois o estado não dá o suporte necessário para que nos professores alcancemos resultados mais significativo.Nunca a educação neste país foi tratada com seriedade, e quando isto irá mudar???Pois eu tenho a resposta...o dia em que todos nos estivermos unidos, e lutando por uma educação de qualidade, a mudança depende de nós...temos que fazer valer o nossa voz!!!
    http://professormotaneto.blogspot.com/

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